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Equador: contra o novo “paquetazo”!

O novo paquetazo [em português, “pacotão”] do governo já é um fato neste país: redução dos salários e da jornada de trabalho, demissões massivas, corte das verbas para a educação e a saúde, privatizações, e aumento do preço da gasolina, e consequentemente, de todos os produtos da cesta básica. Tudo isto, em meio da atual crise sanitária e econômica. Portanto, as pessoas que se não trabalham não comem (a maioria da população) devem levantar-se contra estas medidas tal como o fez em outubro. Sim: devemos fazer uma nova revolta, povo, porque estas medidas são piores que as de outubro: nos precarizam e empobrecem ainda mais do que já estamos, enquanto os empresários e seus políticos seguem acumulando mais riqueza e poder as custas de nossa exploração e dominação, quer dizer, as custas de nos roubar, nos enganar e nos reprimir.

É mais, tudo o que fez este governo empresarial, mafioso e assassino de Moreno-Sonnenholzner-Martínez-Roldán-Romo-Jarrín durante os últimos meses, aproveitando-se da pandemia e da quarentena obrigatória, é muito pior e condenável do que o que fez em outubro (milhares de contagiados, mortos, presos e despedidos). Por isso mesmo, nas últimas semanas e dias, nossa classe trabalhadora (que inclui os informais e os desempregados) já reagiu protestando nas ruas, apesar do coronavírus e da ditadura sanitária imposta pelo Estado. E o mais provável é que continue protestando nos próximos dias e semanas, como deve ser. Mas não se sabe até quando nem até onde.

No caso de acontecer uma nova revolta neste país, é possível que, assim como na Revolta de Outubro do ano passado se lutou pela revogação do Decreto Executivo 883, desta vez se lute pela revogação dos Decretos Executivos 1053 e 1054. Todas as esquerdas daqui, ou a maioria delas, estarão de acordo com isso. No entanto, desta vez não nos conformaremos com migalhas legais e institucionais, gente. Isso foi e já seria uma derrota, ainda que pareça o contrário. Quer dizer, não há como nos conformarmos em lutar pela “inconstitucionalidade” de tais leis nem fantasiar com eleições presidenciais e um “governo operário, camponês, indígena e popular”, como o fazem as organizações da esquerda do Capital. Porque as leis, as eleições e as instituições são armas do Estado dos ricos e poderosos contra nós os explorados e oprimidos. Não se pode combater e destruir este sistema em seu terreno e com suas próprias armas. Isso é “dar mais poder ao Poder”. Pelo contrário, temos que tornar real aquele lema que se escutou nos últimos protestos: “com a força dos trabalhadores, romper as leis dos exploradores”, e romper todo seu poder econômico, político, militar, midiático e ideológico.

As revoltas proletárias devem criticar-se a si mesmas, aprender com seus próprios erros, tensionar e superar suas próprias contradições, para não ficarem presas no terreno da classe exploradora e dominante, mas para romper com a ordem estabelecida e transformar-se na revolução social que hoje em dia é mais necessária e urgente do que nunca, dada a atual crise total do sistema capitalista que está destruindo a humanidade e a natureza. A revolução social, não para pôr no poder nenhum partido político de esquerda, mas para defender e regenerar a Vida mesma que hoje está em risco.

Claro que para conquistar algo assim há que começar lutando por umas demandas mínimas (de trabalho, saúde, moradia, educação, tempo livre) e com um mínimo de auto-organização coletiva (da biossegurança, da alimentação, do transporte, da comunicação e da autodefesa). Mas também temos de ir mais além disto: temos que superar os próprios limites da revolta. No fim das contas, a revolução é a generalização e radicalização de todas as reivindicações ou necessidades dos explorados e oprimidos para deixar de sê-lo. E a organização é a organização das tarefas que esta luta de classes para abolir a sociedade de classes exige. Na qual o apoio mútuo e a solidariedade foram, são e serão nossas melhores armas.

Então, se saímos para protestar nas ruas apesar do risco de contágio, o toque de recolher e a ameaça de repressão legal por parte do governo, que não só seja por raiva, fome, desespero e com a Revolta de Outubro na memória (o qual é totalmente legítimo e valioso). Saiamos para protestar nas ruas com algumas ideias claras e autocríticas, gente: não lutemos por essas migalhas democráticas do Estado dos ricos e poderosos chamadas “direitos”, nem tampouco como rebanhos de nenhum partido nem sindicato de esquerda que diga ser nosso “líder e salvador”. Lutemos com cabeça e mãos próprias como os ninguém que queremos tudo. Porque os ninguém, quer dizer, os proletários e as proletárias, produzimos tudo o que existe e, portanto, podemos destruir tudo (as ruínas não nos dão medo) e podemos criar algo totalmente novo e melhor que o destruído, por e para nós mesmos, sem necessidade de chefes, representantes nem intermediários.

Tudo isto, não é uma questão de ideologia política, é uma questão de vida ou morte nestes tempos de crise econômica, sanitária, ecológica e civilizatória. Cedo ou tarde, até os “apolíticos” e “neutros” que se creem “classe média” sairão para protestar nas ruas por esta razão. Tudo o dito aqui, ademais, se aplica não só para o Equador e para a conjuntura local que está se abrindo, mas para todo o mundo (do Chile até a China) e para toda esta época. Por isso fazemos um chamado a desatar a revolta proletária sem volta atrás aqui e em todas as partes.

ABAIXO O PACOTÃO, O GOVERNO, O CAPITAL E O ESTADO!

NÃO LUTEMOS POR MIGALHAS NEM PACTOS!

LUTEMOS SEM CHEFES, REPRESENTANTES NEM INTERMEDIÁRIOS!

CONTRA A EXPLORAÇÃO E A MORTE, VAMOS PELA VIDA!

A REVOLUÇÃO É A VIDA!

Por uns proletários revoltados da região equatoriana, pela revolução comunista e anárquica mundial

Quito, 25 de maio de 2020

Traduzido ao português por Agência de Notícias Anarquistas e revisado pelo Fever

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