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Crise política e Luta de classes no Brasil — Do dia 02/5 ao 07/5.

Escrito por Alfredo Lima

Este artigo é uma breve descrição do que está acontecendo no Brasil. Enquanto escrevia estas linhas, superamos 11.000 mortes no Brasil, e espero que a quarentena seja imposta em breve, e que aqueles que têm que se sustentar sejam amparados financeiramente durante a quarentena, através da ajuda do governo federal. Por enquanto, infelizmente, não é isso que está acontecendo.

Governos

No dia 2 de maio o ex-ministro da Justiça, juiz Sérgio Moro, esclareceu suas acusações contra Bolsonaro. Ele desistiu do governo em oposição às tentativas do presidente de mudar a diretoria da Polícia Federal para que ele pudesse ter mais influência sobre suas atividades. Segundo Moro, ele queria proteger a si e sua família de investigações envolvendo milícias do Rio de Janeiro.

Bolsonaro está criando uma narrativa de ter sido traído pelo ex-ministro e outros políticos de extrema-direita que não estão totalmente de acordo com ele. Ele também descreveu Moro como um “Judas” que estava tentando obter benefícios políticos com a sua traição. Os bolonaristas estão, assim, divididos entre os apoiadores de Bolsonaro e os que são agora partidários de Moro.

Em 3 de maio o Brasil tinha 101.147 pessoas infectadas pelo coronavírus e 7025 mortes. Só no Rio de Janeiro, houve mil mortes. Imagina-se que esse número vai crescer uma vez que há um movimento para boicotar o isolamento social. É uma questão política que mostra que Bolsonaro não está realmente isolado, mas tem uma grande base de apoio fascista. Na semana passada ele se juntou a um protesto contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e Rodrigo Maia que é presidente da Câmara dos Deputados. Eles exigiram a intervenção militar e a restituição do AI-5, que foi um ato constitucional desenvolvido pela força repressiva da ditadura militar em 1968. Segundo Bolsonaro, foi um “protesto espontâneo”.

Em 5 de maio, no Rio de Janeiro, Wilson Witzel(governador) e Marcelo Crivella (prefeito) estavam estudando declarar um ‘lockdown’ conforme a situação no Rio foi ficando fora de controle e ainda havia muita gente nas ruas.

No dia 7 de maio, Bolsonaro e alguns empresários marcharam ao STF para exigir o fim do isolamento social. O setor de construção civil e o industrial foram declarados serviços essenciais para constranger o supremo e os governadores e para que o presidente não tivesse que assumir a responsabilidade pela crise econômica que um bloqueio mais rigoroso traria.

Lutas em curso

No bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, houve uma rebelião jovens que cumpriam medidas socio-educativas em um prédio prisional. Eles pediam a libertação dos detentos que eram de alto risco e por menos guardas. Os guardas não estavam usando máscaras. Em Manaus houve uma rebelião com tentativa de fuga. Os parentes de alguns detentos disseram à imprensa que eles estavam furiosos, devido às precárias condições de saúde da prisão. Dois detentos em prisões de Manaus testaram positivo para Covid-19.

Ouvi que vários entregadores pararam de trabalhar no dia 4 de maio em Niterói por causa do baixo pagamento que recebiam por entrega e outras demandas. Eles estavam, por exemplo, sendo bloqueados pelo aplicativo sem nenhuma razão.

Perspectivas econômicas

Um artigo de Henrique Gomes Batista para o jornal O Globo, dizia que havia consenso sobre tecnologias e mudanças no ambiente de trabalho se tornariam a nova normalidade. Nos setores em que a presença no trabalho é necessária, haveria um aumento das divisórias de escritórios; e trabalhar em casa está começando a se tornar a nova normalidade, portanto, a infra-estrutura de sua casa deve responder às exigências dos capitalistas, e o trabalhador deverá arcar com essas mudanças.

Educação

O governador da Bahia, Rui Costa (do Partido dos Trabalhadores) está estudando uma maneira de voltar a ter aulas nas escolas estaduais. Ele apoia o uso de máscaras nas escolas para alunos e professores, e um revesamento dos horários de intervalo para diferentes turmas, para que os jovens não fiquem todos nas áreas de convívio ao mesmo tempo.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) anunciou que a prova do ENEM 1 vai acontecer apesar da crise provocada pela pandemia. Mas nem todas as escolas estaduais estão tendo aulas virtuais. Isso aumentaria o elitismo do exame. Alguns grupos de esquerda estão apoiando o adiamento das provas, mas a imprensa ainda não tem noticiado isso. Os sindicatos de professores também ainda não disseram nada. Havia um vídeo de marketing do MEC que pedia aos alunos que dessem o seu jeito de estudar porque “a vida não pode parar”.

1 O ENEM é a prova para alunos do ensino médio que é necessário para ingressar em uma universidade e para rankear a educação no país.

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