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As condições de trabalho e de luta entre trabalhadores da saúde na Argentina

O sistema de saúde argentino, antes mesmo da atual pandemia e especialmente nos subúrbios (da Região Metropolitana de Buenos Aires), já se encontrava em um estado de esvaziamento, escassez de recursos básicos e falta de organização unificada dos procedimentos. Em um contexto em que os trabalhadores da saúde já enfrentavam dificuldades para enfrentar as epidemias de dengue e sarampo, a pandemia do COVID-19 gerou muito caos e confusão, já que não existia informação clara sobre como atuar e como implementar protocolos de prevenção e controle. Em muitos setores do Atendimento Primário de Saúde dos vários municípios da Região Metropolitana de Buenos Aires, reclamam da falta de recursos e materiais básicos (máscaras, luvas, mediação, repelente, higiene e limpeza básica), ao que se somam as más condições de estrutura dos centros de saúde, muitos sem água corrente, nem coleta de lixo. O governo começou com capacitações virtuais e presenciais para o pessoal e aplicou novos protocolos que mudam periodicamente, sendo que as respostas no território passam longe de cumprir seus objetivos. Prevalece um cenário de improvisação no enfrentamento local da emergência, com falta de equipamentos de proteção, de insumos e com quadro de funcionários insuficiente.

Os trabalhadores da saúde fazem parte dos setores excluídos da quarentena, enquadrados como serviços essenciais. Paira uma grande incerteza quanto às licenças para aqueles que são parte do grupo de risco: trabalhadores acima de 60 anos sem nenhuma doença crônica são forçados a comparecer nos locais de trabalho, bem como pessoas que estão cuidando de crianças, que pedem para ter licença. Muitos dos trabalhadores considerados não-essenciais do setor (psicólogos, trabalhadores sociais, nutricionistas, etc) estão sendo realocados, mudando suas tarefas habituais segundo as exigências das autoridades do Ministério da Saúde.

Alguns residentes e ingressantes (trabalhadores já superexplorados que estavam em meio a um processo de luta) e alguns sindicatos do estado reivindicam uma bonificação salarial para os trabalhadores da saúde que atuarem durante a emergência sanitária, abastecimento urgente urgente de insumos, remédios, EPIs para evitar transmissão e seguro de vida. Além disso, soube-se que no Instituto Malbrán (onde são monitoradas todas doenças infectocontagiosas do país) são só algumas poucas pessoas sustentando o laboratório encarregado do coronavírus; em maioria mulheres, com salários baixos, condições precárias de trabalho e dupla jornada.

Durante os últimos dias, com o avanço a pandemia e as modificações nas medidas do Estado, os trabalhadores da saúde, dos quais se exigem “esforços exepcionais” para esta situação execepcional, com pouco apoio do Estado, realizaram assembleias nos locais de trabalho e continuam lutando contra as más condições de trabalho, a falta das mínimas medidas de segurança e de insumos de proteção, dizendo “não somos heróis, somos trabalhadores precarizados”.

Mais informações:
http://www.infogremiales.com.ar/noticia.php?n=61559
https://www.anred.org/2020/03/19/trabajadores-de-la-salud-de-chubut-en-lucha-cuidar-a-los-que-cuidan/
https://www.anred.org/2020/03/18/las-nueve-mujeres-que-controlan-la-pandemia/
https://www.anred.org/2020/03/23/no-son-heroes-son-trabajadores-precarizados/

https://www.facebook.com/watch/?v=222287535821355
https://www.facebook.com/bastadeasesinatoslaborales/photos/a.1725683027748431/2517009238615802/?type=3&theater

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